3 de abr de 2013

FALA PAULINHO!!




Nos dias 13 e 14 de outubro de 2012, esteve em cena, no espaço cultural Espanca, a Cia. Teatral Sapos e Afogados com o espetáculo DUO. A citada cia. Teatral que aos poucos vem ganhando a simpatia dos belorizontinos, estreou com casa cheia e foi realmente um espetáculo na medida certa, acrescida de uma interpretação de qualidade e um alto teor de carga dramática que confere aos espectadores inovação, sentimentos, espanto, curiosidade e perplexidade. Com muita coragem, Silvia Maria, a atriz principal do espetáculo, contracenou com a atriz Renata Corrêa numa direção de Juliana Barreto. Silvia, que além de psicóloga é portadora de sofrimento mental e militante da Luta Antimanciomial, externalizou de uma forma emocionante fragmentos do seu sofrimento, em forma de arte dramática somadas a reflexões pertinentes não só aos “loucos”, mas a todos os cidadãos que tem seus direitos violados. Mesmo com um cenário simples, numa construção que valoriza mais interpretação das atrizes, o espetáculo prende a atenção do início ao fim tanto pelo conteúdo, quanto pela construção cênica que propõe um monólogo bilíngue: em português e italiano.


Paulinho Maluco – Picicanarquista Lobosqueano. 14 de outubro de 2012.

MATERIAL BRUTO

Material Bruto from Ricardo Alves Jr on Vimeo.

31 de out de 2012

E vem aí... FROG SOUND, ISTO NÃO É UM SORVETE!!




No mês de novembro, o grupo Sapos e Afogados apresenta seu primeiro espetáculo de rua, Frog Sound - Isso não é um sorvete! Venha se derreter com os deliciosos delírios da companhia de teatro formada por atores portadores de sofrimento mental. Dia 9 de novembro, às 10hs, na UFMG; dia 10, às 16hs, no Parque Municipal e dia 11, às 11hs, no Mercado Distrital do Cruzeiro! Não perca!! 

14 de out de 2012

DUO em BH!!

UM PAULINHO LEGAL!!AGORA É OFICIAL: TEMOS UM PAULINHO LEGAL, que é nosso CRÍTICO ANALÍTICO!! BEM VINDO!!

"Primeiramente quero me identificar, sou o Paulo Azevedo, publicitário graduado, graduando em jornalismo e fruto da Luta Antimanicomial. Mais precisamente dos serviços substitutivos aos manicômios. Mesmo já tendo sido estudante de teatro, não tinha interesse em assistir peças de teatro de usuários de serviço de saúde mental. Pra falar a verdade, fujo deste estigma ao mesmo tempo que assumo e tenho orgulho. Nos manicômios, tratar bem um louco é imbecilizá-lo, tratá-lo como criança. Sendo portador de transtorno mental, só fui conhecer a liberdade e o respeito quando comecei a ser tratado no SUS, Cersam’s e Centro de Convivência, o que não me curou, mas me trouxe bons momentos, se eu morrer agora posso dizer que pelo menos conheci fragmentos da felicidade. Sempre busquei o respeito social, pois além do preconceito social e familiar que sofria e sofro tem o meu próprio preconceito, mas consegui virar um profissional da comunicação que me trouxe certo alívio, certo descomprometi mento com o passado, agora posso me libertar e ir de encontro ao presente e ao futuro. Nos centros de convivências e nos Cersam’s existe a possibilidade de desenvolver afeto, pois os seres humanos não são separados por gênero, isso já é um grande passo. Vamos ao que interessa, outro dia fui a uma apresentação do grupo teatral Sapos e Afogados, na sorveteria Easy Ice. Fui descomprometidamente, pois depois que a Luta Antimanicomial entrou na minha vida, entrou junto as parcerias com os movimentos sociais que veio junto com amigos para sair, divertir, brincar, zoar, lutar, conversar e muito mais. Fiquei lá vendo ‘loucos’ encenando... Naquele momento ficou mais claro que assim como deve existir espaço para homossexuais, negros. É possível criar espaços para os chamados loucos. É uma questão de vontade política. Ninguém tá falando em acabar com a loucura por decreto, estamos falando em aceitar a loucura na sociedade. Sem mais nada a declarar." Paulinho Maluco – Picicanarquista Lobosqueano Belo Horizonte, 04 de junho de 2012.

3 de mai de 2012

SAPOS E AFOGADOS - MOSTRA 10 ANOS



::PROGRAMAÇÃO::

17/05. QUINTA-FEIRA
> 16:00hs:  (gratuito) Cine Sapos: Exibição dos Curtas Sapos e Afogados e Material Bruto
Roda de Conversa com o Núcleo e os convidados Ricardo Alves Junior
> 20:00hs: (R$ 20,00 inteira)
Espetáculo Duo –  com a convidada Renata Corrêa

19:/05. SÁBADO
> 16:00hs:  (gratuito)
Performance “Hoje são mistérios gozosos os meus surtos psicóticos”
Roda de Conversa com o Núcleo e as convidadas Denise Pedron, Patrícia Fonseca e Rose Aparecida.
Performance “Show particular” - com o convidado Marcelo Kraiser
> 20:00hs: (R$ 20,00 inteira)
Espetáculo Caixa Preta – com o convidado Davi Pantuzza

20/05. DOMINGO:
> 16:00hs: (gratuito)
Intervenção de rua Frog Sound nas imediações do Sesc Palladium (Ponto de partida: portaria da Augusto de Lima 420)


:: FICHA TÉCNICA::
DIREÇÃO
Juliana Saúde Barreto
ASSISTENTE DE DIREÇÃO
Elon Rabin
FIGURINO
Luciana Mendes
CARACTERIZAÇÃO
Cacá Zech
COLABORAÇÃO
Luciana Mendes
Renata Corrêa
ATUAÇÃO
Elon Rabin
Edmundo Veloso Caetano
Germana
Jaqueline Melo
Juni Resende
Lidia Soares
Ludimila Kondzioková
Rogério Gomes
Silvia Maria
Viviane de Cássia
PRODUÇÃO
Renata Corrêa


15 de abr de 2012

Pedido de casamento 2:

Você é um pouco mística.
Você vai casar comigo no religioso?
Quanto que é o seu salário?
Frasqueirinha, vou te dar um selinho...


By: Edmundo, Ludmilla e Juliana na carro da Lu Mendes!

4 de dez de 2011

10 anos Centro de Convivência Providência

Nesta quarta feira o SAPOS deu um pulinho no Providência, matamos a saudade e comemoramos juntos o aniversário deste espaço que para nós foi muito importante!! Reencontrar pessoas lindas foi uma delícia de presente e a Zila ainda nos brindou com este depoimento tão emocionante!
Os Centros de Convivência são importante no tratamento do portador de sofrimento mental, possibilitando ao usuário dos serviços criarem e recriarem a arte, criarem e recriarem suas vidas. As pessoas que aqui se encontram estão em igual situação, mas cada um diferente, aprendendo a conviver com as diferenças. Sem reduzirem suas vidas ao Centro de Convivência, são mães, pais, tios, irmãos, avós, que continuam sua vida lá fora, convivendo com seus familiares e a sociedade.
No Centro de Convivência combatem a ociosidade, se encontram distantes das prisões dos manicômios, onde estariam perdendo parte importante de suas vidas.
Quando adoeci há 14 anos atrás, após minha segunda gravidez, comecei a olhar pra minha filha de 6 meses e sentir medo dela, seu sorriso me ameaçava. Ao sentir que estava com medo dela, senti medo de mim mesma e a deixava com a vizinha enquanto meu marido não chegava. Cuidava muito da casa, das roupas e não achava tempo de me alimentar e alimentar minhas filhas. Percebi que estava esquisita e pedi ajuda ao meu irmão que foi me buscar em casa , encontrando lá um tanto de comida estragada e minhas filhas morrendo de fome. Meu marido chegava em casa e ia pro bar e não percebia o que estava acontecendo comigo.]
Fui então levada pra casa da minha irmã, e quando ela viu as minhas meninas, sujas, descabeladas e com fome, percebeu que eu precisava de um psiquiatra. Iniciei o tratamento, minha irmã tomava conta de minhas meninas, via o meu marido nos finais de semana, e só recobrei a consciência de que tinha uns seis meses depois. Aí quis assumi minhas filhas e achei que minha irmã queria toma-las de mim, e voltei a morar com o meu marido e cuidar das minhas filhas, indo diariamente para casa da minha mãe.
Com a ajuda de min há família, de amigos e de meu marido, consegui criar minhas filhas que hoje se encontram com 15 e 17 anos, que ainda precisam muito de mim, mas estão bem encaminhadas na vida, independentes e sabem tomar decisões.
Me lembro de quando eu falava pelos cotovelos que eu disse a elas : “ analisem o que eu falo, e se eu mandar fazer coisa errada não façam. “ Assim por um lado eu perdi um pouco da autoridade, mas não corri o risco de elas me obedecerem quando eu dizia coisas absurdas, e elas aprenderam assim a lidar com minhas crises.
Quando minhas filhas eram pequenas eu as chamava de meu remedinho, porque diante das crises eu pensava na responsabilidade de criá-las e superava mais por elas do que por mim própria. Tenho muito a agradecer ao meu marido que me apóia nesta jornada , que é minha vida.
Depois de algum tempo fui encaminhada ao centro de Convivência onde me identifiquei com algumas pessoas, gostei das aulas de desenho, música e vi que o que eu fazia tinha valor. Antes ficava muito ociosa em casa, e pensei que nunca mais iria ser aceita pela sociedade, é como se sentisse culpa pelo que estava acontecendo comigo .
Na primeira vez fiz um desenho que foi colocado num quadro e foi vendido numa feira, me senti valorizada pelo que fiz e resolvi a freqüentar mais. Não podia acreditar que aquilo que fiz pudesse ser comprado por alguém. Passei a fazer mais obras e hoje tenho o sonho de fazer uma exposição só minha com meus trabalhos. Vou fazendo alguma arte e quando vendo ganho uns trocados.
As aulas me ajudaram a descobrir habilidades e desenvolver trabalhos artísticos, como também aprendi a tomar decisões, uma vez que os técnicos se tornaram bons conselheiros e amigos.Tenho muito respeito e apreço pelos funcionários do Centro de Convivência e funcionários que passaram por aqui.
Aqui a gente se reeduca para a vida e aprende a viver melhor na sociedade, surgem projetos de trabalho, de estudo, de vida. Ajuda também aos nossos familiares a conviverem conosco. È uma opção para não perder a vida no hospício
Possibilita nossa circulação em vários locais da cidade, e começamos a olhar esta cidade com outros olhos, olhos de admiração e respeito.
Espero que minhas filhas tenham muito sucesso na vida e consigam ir onde eu não pude ir. Mas, se for da vontade de cada uma. Espero também que outras pessoas encontram no Centro de Convivência o que eu encontrei aqui: um caminho a seguir.

Rosilene Aparecida Souza Oliveira


Lindo tudo! Estamos felizes e agradecidos!!

16 de nov de 2011

DOC SAPOS!



Depoimento de integrantes e ex-integrantes do Núcleo de Criação e Pesquisa Sapos e Afogados sobre o trabalho artistico do grupo e as ligações com a saúde mental.

"O Sapo ri... rã!" (David Castello)

Na foto: Renata Corrêa (Produtora Artística), Viviane Ferreira (Atriz), Rogério Gomes (Ator), Ellon Rabin (Assistente e Ator), Juliana Barreto (Diretora), Junih (ginina)

20 de ago de 2011

Em cena: Saúde Mental! Jogo de dentro, jogo de fora!


Frog sound - isso não é um sorvete!


Mais novo trabalho do SAPOS fala baixinho dos amores que com sabores delicados deixam saudade na boca.
Fala do menino, da menina, que se derretem por um sorvete da praça...de um homem de olhos vidrados e um corpo de mulher que se derrete deliciosamente até um chão de paisagens que se modificam e se transformam o tempo todo.
Sorverte, eu quero sorverte!
Um passo, um pequeno esbarrão, só uma encostadinha, trombada de fazer registro.
Meninas de olhares vidrados, corpos que se congelam e se soltam!
Eu quero mesmo um amor que escreve meu nome na neve: PAISAGEM FESTA!

29 de jun de 2011

ACCADEMIA DELLA FOLLIA + SAPOS E AFOGADOS agora em Belo Horizonte!!!



TURNÊ ITALIANA

Em maio, nós, SAPOS, fomos dar um pulinho na Itália e essa viagem foi muito produtiva! O IBRITI - Instituto Brasil/Itália - realizou um festival de cinema brasileiro em Milão, cujo nosso premiado filme MATERIAL BRUTO foi exibido. A diretora Juliana Barreto, juntamente com as atrizes Silvia Maria e Viviane de Cássia, estiveram lá para participar de dois debates sobre o filme. Além disso, em Trieste, cidade onde Franco Basaglia deu inicio à reforma psiquiátrica, na década de 70, houve mais um rico encontro com o ACCADEMIA DELLA FOLLIA, grupo teatral de atores-loucos da cidade. Lá, estreiamos DUO, com atuação de Silvia Maria, minha participação como "tradutora cênica" e direção de Juliana Barreto. Sei que essa viagem foi uma experiência muito forte para todos, com efeitos positivos...




 

26 de abr de 2011

MIRRA


Porque sou atriz, porque visto vermelho e porque não sei nada... fui convidada a mirriar. Mirriemos pois...
O que é MIRRA?
No nascimento de Jesus Cristo, foram oferecidos a ele, pelos três reis magos: incenso, ouro e mirra.
MIRRA não é uma luta. São exercícios cujo objetivo é lhe fazer flutuar.
Em uma aula de MIRRA, o aluno ensina ao professor.
MIRRA é dividida em cinco etapas:
M de movimento
I de Intuição
R de reflexão
R de reflexo
A de ação, de amor.
Muito importante saber: em MIRRA só existe uma faixa a vermelha. No caso de graduação, essa é sempre medida pela sua idade mais 1. Se você tem 17 anos, seu grau é 18.
Existe “OSS” no Karatê e no Judô japonês. Esses “OSS” representam uma forma de respeito e cumprimento, no início e no final da aula ou de uma competição.
Em MIRRA, por enquanto, não existe nem medalha, nem competição. Cumprimenta-se “OSS” no início e no final de cada etapa. E antes de falar “OSS”mirriamos o seguinte pensamento: “ Eu te conheço se tu me compreendes”. Senão não mirriaremos.
PS: Pode-se participar de MIRRA qualquer espécie de ser, sendo um inseto, uma lagartixa, um ser humano e etc. Não importando ser cego, surdo, mudo, sem paladar, sem olfato ou qualquer tipo de deficiência. Até em estado de coma pratica-se MIRRA. A quem diga que os mortos também praticam MIRRA.
No entanto, crianças de até 6 anos de idade podem brincar de mirriar, pois seu ego, id e superego ainda não estão estruturados.
“OSS!!!”

Edmundo Veloso Caetano, também é Mestre Bidufer, criador de MIRRA e de tantas alegrias!

Ellon Rabin em 25 de abril de 2011 - Ensaio


Uma lágrima escondida para Juliana Barreto. Um choro velado para ela que esqueceu seu guarda-chuva justo no dia mais quente! Gosto de gente que cuida de mim...

Vinheta3 Teatros da Radicalidade I from ricardo alves júnior on Vimeo.

vinheta2 Teatros da Radicalidade I from ECUM on Vimeo.

30 de mar de 2011

Nossa casa está de portas abertas... Entre!!!


mapa aqui!

Programação CASA BREVE – Residência Artística/ Habitação criativa

Dia 01 de abril (pode acreditar!) de 7 às 7hs
Rua Dona Leonidia Leite Nº 68 Floresta

7:00 - Café “Boas Vindas” Abertura Casa
9:00 - Show Secreto, com Ludmila Kondziolkova
9:30 -  Breve Instante, com Edmundo Veloso Caetano e Sílvia Maria
10:00 - Hoje são mistérios gozosos dos meus surtos psicóticos, com Viviane Ferreira
10:30 - Travessia do Mar Vermelho, com Ellon Rabin
11:00 - Tríade, com Sílvia Maria
12:00 - Intervalo Almoço Suricato
14:30 - Show Secreto, com Ludmila Kondziolkova
15:00 -  Roda de conversa com convidados muito especiais
16:00 -  Breve Instante, com Edmundo Veloso Caetano e Sílvia Maria
16: 30 - Travessia do Mar Vermelho, com Ellon Rabin!
17:00 - Visita da Diva = Chá das cinco com Germana Silva “eu estou viva” uma homenagem a Liz Taylor!
17:30 - Demonstração de MIRRA = aprendendo com o aluno-
18:00 - Instalação sonora, proposição de Sílvia Maria
18:30 - Hoje são mistérios gozosos dos meus surtos psicóticos, com Viviane Ferreira
19:00 - Show no quintal/ Roda de vinho ou suco de uva/ Cirandas para lua/ Cantoria na porta da casa, despedida da casa! Acordando a Vizinhança!!

CASA BREVE





Fotos: Ricardo Alves Júnior

24 de mar de 2011

Súmula - Herberto Helder

- Era uma casa - como direi? - absoluta.

Ocupação Casa Breve / Floresta

    ele não guarda sentidos simbólicos. em suas mãos tudo é diverso. eu digo um nome de coisa qualquer. mas coisa qualquer não existe. tudo é arma de paz perto do Pacificador. até uma lágrima? ela pergunta. e ele diz: essa lágrima, não vou nem deixar que se evapore.

20 de mar de 2011

O SAPO NÃO PULA POR BONITEZA, MAS POR PRECISÃO!!



Entrevista feita com os Sapos em 2007 - reportagem de Thaís Pimentel pra a rádio CBN.

1 de mar de 2011

::3 FRAMES NOTURNOS::





... um convite de Lorena Ortiz e Alonso Pafyese aos Sapos ...

22 de fev de 2011

SAPOS E AFOGADOS

"ABRE ESSA PORTA"



Primeiro filme do Núcleo - 2004

19 de fev de 2011

CINEMA DE VISIBILIDADES ÍNTIMAS

PROJETO SIMBIO + NÚCLEO DE CRIAÇÃO E PESQUISA SAPOS E AFOGADOS

CINEMA DE VISIBILIDADES ÍNTIMAS from Renata Corrêa on Vimeo.

16 de fev de 2011

15 de fev de 2011

5 de out de 2010

Saúde Mental, direito e compromisso de todos

Ao falar sobre direitos humanos e cidadania dos portadores de sofrimento mental penso na inclusão destes no campo da cultura e na liberdade de viver em sociedade.
Lendo um texto do psiquiatra e psicanalista Jurandir Freire sobre a cultura narcísica, entendo que o movimento da luta antimanicomial não apenas busca a inserção social da loucura mas também reinventa outras modalidades de existência frente a esta cultura, que eu chamaria de, dominante.
Para falar um pouco sobre isto, tomo a liberdade para fazer uma livre interpretação do texto de Jurandir.
O que seria essa cultura narcísica?
Hoje, o sujeito é o ponto de partida e de chegada do cuidado de si, sendo indiferente ou pouco sensível a compromissos com os outros. O narcisista cuida apenas de si porque aprendeu a acreditar que a felicidade é sinônimo de obtenção de prazer: quanto maior, mais imediato, mais constante for o prazer, mais feliz é o sujeito.
Assim, sem delegar à religião, à história, à política ou à família o papel de dar sentido à vida, o sujeito narcisista substitui essas instâncias normativas por uma outra não menos tradicional, a ciência.
O sentido da existência, a origem das obrigações éticas, as escolhas dos estilos de viver, todos esses itens implicados na busca da felicidade foram agregados ao rol de perguntas que a ciência, cedo ou tarde, vai responder.
No lugar da “excelência virtuosa da vida” surge um novo padrão, a “qualidade de vida”. E a qualidade de vida tem como referentes privilegiados o corpo e a espécie. Ser jovem, saudável, longevo e atento à forma física começa a funcionar como a regra científica que legitima ou desqualifica outras preferências e aspirações à felicidade.
Disso decorre uma contradição importante: o sujeito vê-se, simultaneamente, como onipotente, ao acreditar que pode fabricar o eu moral e psicológico a partir da pura matéria corporal, e como impotente, ao ser forçado a crer que o sentido do sofrimento humano está inscrito nos genes ou nos circuitos neuro-hormonais.
Outra contradição, não menos importante, tem a ver com a relação com o outro. Dado que a identidade é exposta, de pronto, na aparência corporal, o outro se tornou um potencial inimigo e não um parceiro de ideais comuns.
A cultura do intimismo sentimental, em especial a do romantismo, concedeu ao indivíduo o direito quase sagrado de escolher a quem revelar sua intimidade, da maneira e nas ocasiões que julgar mais favoráveis.
A cultura narcísica da exibição publicitária da privacidade já havia desferido um duro golpe nessa moral, ao comercializar o hábito das confissões públicas de segredos sexuais e emocionais, com vistas à venda de bens e serviços.
E a cultura somática acabou de completar a tarefa, ao fazer do corpo espelho da alma. O corpo se tornou a vitrine compulsória, permanentemente devassada pelo olhar do outro anônimo, de nossos vícios e virtudes, fraquezas e forças.
Por não podermos ocultar o que, eventualmente, gostaríamos de manter em segredo, adotamos a estratégia da superexposição como forma de passar desapercebidos. A maneira mais eficiente de não se fazer notar é uniformizar a superfície corporal com a aparência aprovada por todos.
Aqui, eu gostaria de fazer uma pausa.
Quando o movimento da luta antimanicomial busca a inserção dos portadores de sofrimento mental na sociedade, não estamos buscando a normalização da loucura. Ter direitos iguais não significa ‘ser igual a todo mundo’. A afirmação das diferenças é fundamental para o convívio social que buscamos.
Nem tão pouco acreditamos que o sentido do sofrimento humano esteja inscrito nos genes ou nos circuitos neuro-hormonais. Desse modo, nós, portadores de sofrimento mental, não nos desresponsabilizamos e nem desresponsabilizamos a sociedade para com o convívio pacífico e inclusivo das diferenças.
Nisso importa a relação para com o outro e o mundo que queremos construir. Sem dúvida, para mim e muitos que aqui estão, a sociedade que queremos é uma sociedade sem manicômios físicos ou mentais.
Que saibamos aproveitar nesta oportunidade ímpar de, na história da Reforma Psiquiátrica, consolidarmos avanços e enfrentarmos desafios. Fazendo da Saúde Mental um direito e um compromisso de todos. Um bom trabalho a todos!

Sílvia Maria Soares Ferreira
é atriz do SAPOS E AFOGADOS

3 de out de 2010

Quem é ELA?

ELA sobe escadas, ELA come pipoca, ELA vai ao teatro, ELA pega taxi, ELA sente frio, ELA sente saudade, ELA vai ao banheiro, ELA tira fotos, ELA vai ao banco, ELA observa os carros, ELA observa, ELA come tortas de limão, ELA abre portas, ELA espera, ELA usa o orelhão, ELA compra um livro, ELA reza, ELA samba, ELA conversa com gente importante, ELA escreve, ELA encontra uma amiga distante, ELA sobe escadas. Todos que a vêem dizem: É ELA!
Não há dúvidas, É ELA! ELA recebe cumprimentos à toa e sorrisos de graça!
ELA escova os dentes, ELA faz novas amizades, ELA sabe a hora de ir para casa, ELA sabe sair, ELA brinca com os bebês, ELA bebe água, ELA às vezes dorme, ELA retoca a maquiagem, ELA coça os olhos, ELA usa bons perfumes, ELA toma água de coco, ELA atravessa na faixa, ELA anda na calçada, ELA faz análise, também! ELA atende o telefone. ELA liga. ELA é reconhecida pelas pessoas na rua a todo instante. ELA espera quando vai ter bolo, ELA espera.
ELA se confunde. ELA compra flores às sextas feiras, sempre às sextas. ELA chora. ELA fica quando chove. ELA anda chovendo muito.
Não, não, não fale comigo agora, eu agora sou ELA.


Juliana Saúde Barreto

14 de fev de 2010

Segredos de uma Caixa Preta

O segredo,

o sagrado,

o que ainda não tem nome,

ações internas,

possibilidades descobertas,

com tampa ou sem tampa, imagens a serem desvendadas em um mundo a ser decodificado. Inconsciente, fotografia, tarja preta,

espaço vazio.

O que é teatro,
o que é loucura,

o que é real,
o que é escuro,

o que é claro
o que é cinema...
a c
ena nesta criação do Sapos e Afogados é um objeto, uma situação a atravessar, sons, imagens, metáforas delirantes sobre o que é fazer teatro e o que acontece neste espaço em que se atravessa, caixa cênica, o mundo de um ator!
Juliana Barreto

9 de fev de 2010

Um pouco mais de nós.

Entrevista de Juliana Barreto, diretora do Sapos e Afogados, falando um pouco sobre a vida e obra do grupo.

23 de set de 2009

MATERIAL BRUTO




é o juízo final a história do bem e do mal... quero ter olhos pra ver...

Ensaio CAIXA PRETA














Me importas tu, e tu, e tu ... e solamente tu!
nossa diva Germana!